Terça-feira, 29 de Maio de 2007

10 Anos...











17 de Novembro de 1966 - 29 de Maio de 1997



Sábado, 26 de Maio de 2007

Phantom Punch - Sondre and the Faces Down

Sondre Lerche em sua faceta Franz Ferdinand,
pasmem, está melhor que Franz Ferdinand:

"O" Single: Phantom Punch
Clipe dirigido por Kristoffer Borgli Thomsen



Honestly isn't it enough?
Everytime you cross the red line
My tracks go tangling
Anyway where did you become
Such a sneaky perpetrator
Strangely rebellious

You don't want to feel the phantom punch
Isn't it already far too much?

Anyway can you not recall
Feeling every generous trust
As I was petrified
Honestly get it off your chest
Each and every sonnet you sing
Makes me want to scream and stuff

You don't want to feel the phantom punch
Isn't it already far too much?
Isn't there always something
Shaking the ground breaking things
If it's all the same to you
I'd rather just...

Mas não é só disso que é feito o novo álbum do maior fã norueguês de Milton Nascimento. Outras faixas que marcam este disco de rica sonoridade sobre... coisas que mexem com o coração de Sondre e o nocauteiam, ou o fazem querer nocautear alguém... são:

Porque aparência é T-U-D-O pra uma capa de disco...

"She's Fantastic"
"Airport Taxi Reception"
"Say It All"
"Face The Blood"
"Tragic Mirror"
...
"After All"
"John, Let Me Go"
"Well Well Well"
"The Tape"
"Happy Birthday Girl"
...


Enfim, o disco todo. Todo o disco.
Recomendo com força que ouçam estas músicas até viciarem.

Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Tremei: Abriram-se As Portas do Meu Eu

"Volta Ao Início"

São traumas. Muitos traumas. Rondam meu consciente todo o tempo. As histórias voltam com as coincidências. Volta e meia algo acontece e me lembra de um momento da minha vida em que me senti vulnerável e só. Meu lado incorpóreo agride a sua própria essência - o conter e o transbordar das lágrimas, o corroer por dentro, a melancolia... afetam o corpóreo. A explosão de choro chega no primeiro momento de isolamento literal. Geralmente é rápida. Possivelmente é barulhenta. Sempre é desesperada.

Uma ação ou reação de indiferença ou incompreensão, direta ou indireta. Um ataque pessoal. Tudo o mais que não me é lógico, tudo o mais que é mal-intencionado e que eu noto. É mais do que o bastante para me ferir. Como isso acontece todo o tempo, e com todo mundo, me firo todo o tempo, e com todo mundo. A ferida não alimenta minha raiva ou meu rancor, mas minha angústia. Minha angústia é desejar mais do que tudo saber brincar com a minha dor, mas muitas vezes não conseguir. E perder o sorriso por inteiro. O que menos quero na vida é ser um anti-Chaplin, mas deixar o caos interior se instalar me condena unica e simplesmente a isso.

Não é uma questão de levar-se demais a sério. É uma questão de questionar o humor. De querer entender suas motivações, suas impulsões. Renegar muitas delas. Renová-las ou encontrar novas. E, o mais absurdo e insistente, querer atingir a todos com elas. Este é um desejo obscuro meu: procuro por uma "sintonia perfeita", que inexiste. Por isso rio muito mais quando estou sozinho. Por isso sonho tanto acordado.


Tenho 12 anos. É um fim de semana. É noite. Estou brincando na rua, feliz, com meus amigos. Em minha mente e meu espírito. Confio nisso. Eles são meus amigos. Eles estão COMIGO. Eles desejam minha companhia. Eles estão se comportando estranhamente. Eles saem correndo e entram na casa de um deles. Eu grito desesperado e os chamo de folgados. Eles voltam, me ameaçam, me expulsam. Eu subo ao meu apartamento, o prédio fica ao lado daquela casa. A janela do meu quarto idem. Quando chego ao meu quarto e abro a janela, eu ouço um deles falando que tem nojo de mim. Que não suporta ouvir minha voz. Os demais concordam. Eles não desejam minha presença. Choro muito. Grito para o meu travesseiro. Rezo para aquilo não estar acontecendo de verdade. Pergunto se um dia ainda me recupero por completo, e quando chegará esse dia. Sonho. Durmo.

Domingo, 22 de Abril de 2007

Maria Antonieta + os Gianoukas Papoulas

Maria Antonieta, uma criada e muitos, muitos doces...

É sobre os absurdos da vida de excessos e burgueses em decadência? É um questionamento sobre política social? É uma aula de história? Só se for pra render uma discussão de, no máximo, 2 minutos. Na saída da sessão. E, depois, bora comer uns doces que bateu uma baita vontade.

Gentê, não... É um filme de Sofia Coppola.

E Maria Antonieta, a arquiduquesa da Áustria que se tornou princesa da França aos 14 e rainha da França aos 18, até ser varrida pela Revolução Francesa, é mais uma de suas meninas que aprendem a duro custo que crescer mulher, ao menos neste mundo, não é fácil. Aqui, acolá, em qualquer lugar ou tempo. Defronte às inúmeras contradições, cobranças internas e morais duvidosas impostas pela corte francesa e pela sua própria família, a Antonieta de Sofia embarca numa viagem emocional que pouco a pouco torna a si mesma obscuros não só os limites delineados pela monarquia para diversas de suas descobertas pessoais (algo que pode servir de alusão à situação da mulher em, por que não dizer, TODOS os períodos da História), como também o cerco político que se fechou completamente sobre o humilde cidadão trabalhador francês e a surpresa que estava por vir, necessária e inevitável ("a revolução do povo", com aquelas áspas - como toda revolução). A relação de Antonieta (e de todas as mulheres da realeza) com sua própria repressão (e a feminina em geral) é a questão universal a qual Sofia, naturalmente, deu maior atenção. A Revolução ficou em segundo plano, se chegou a ter algum.

Pra descontrair: elenco "very cool" (Rip Torn como Luís XV... e muito bem! Asia Argento... Jason Schwartzman... Judy Davis, Molly Shannon... etc, etc... gente bonita e sexy... e, claro, Kirsten Dunst com força na peruca, mostrando seu melhor sob a lente de Sofia mais uma vez), muito dinheiro gasto no figurino e na direção de arte, impecáveis, e trilha sonora "even more cool", alternando entre o erudito/clássico, a eletrônica clássica, o pop/rock clássico e o new indie clássico... :P

A seguir, extravagância e doces di-vi-nos
ao som de "I Love Candy", do Bow Wow Wow:


Filme visto no Espaço Unibanco de Santos/SP
-- sessão das 19hs do dia 21/04/2007.




Ele tem a cabeça no lugar... / Em algum lugar ela deve estar...

os Gianoukas Papoulas...
(não me perguntem o porquê do nome, nem a própria banda explica)

Banda de São Paulo com influências (segundo o próprio MySpace deles) da psicodelia dos Anos 60, do folk dos Anos 70, das letras dos Anos 80 e da barulheira dos Anos 90... Conheci há quase duas semanas e caiu como uma luva nessa minha fase de luta contra o pessimismo em que só hora ou outra ganho uma batalhazinha. Estou numa fome de bandas brasileiras também... Conhecendo Fellini, Superguidis, Pública e abrindo espaço para outras.

Capa do disco 'Panorâmica'

Mas Gianoukas foi pra mim a melhor dessas até agora. Embora Fellini seja mais velha e influente, os membros do Gianoukas - Olavo Rocha (vocal), Umberto Serpieri (guitarra, teclado, voz), Alex Brazales (baixo), Cameron (bateria), Luiz Miranda (guitarra) - já têm um bom tempo de estrada e fazem bonito. Por enquanto, ouvi apenas o disco mais conhecido e elogiado da banda até então, e também o último lançado, ou melhor, disponibilizado - a banda assinou com um selo que se desfez bem no momento em que o CD seria distribuido, no ano de 2005... assim sendo, após certa procura e dúvida, colocaram o álbum ("Panorâmica", mini-imagem acima) para download no seu próprio site, em meados de 2006. Olavo Rocha e Umberto Serpieri fizeram a mesma coisa em outro projeto independente dos dois, lançado este ano com o nome Lestics e um álbum quase acústico chamado "9 Sonhos", disponível neste site.

Diversas tiradas pop são notadas, mas sem o efeito enjoativo de grande parte do material que o Jota Quest, o Skank (nada contra Minas Gerais, longe de mim) ou o Ludov produziram nestes últimos anos. Referências vocais de Arnaldo Antunes e Humberto Gessinger marcam grande parte do disco - hiper-bacana, inclusive em canções faladas ou semi-faladas como "Festa" e "Dois Perdidos", sendo essa segunda a que abre o disco e que também tem um clipe bem louco (mesmo... e, acho eu, com um conteúdo implícito - ?), postado na página dos Gianoukas no Youtube:


E este é um video cheio de imagens pertubadoras, reais ou não (A Noite Dos Mortos Vivos e Animal Planet tão lá no bolo), e outras muy políticas para o cover da banda de "Teu Inglês", canção do Fellini:

Sugestão para audição rápida aos interessados: entrem no MySpace deles e ouçam "Na Sala de Justiça" + outras três.

Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

2007 e...

...10 musicas que (já) ficam:

The Perfect Me (Deerhoof)
I'm A Broken Heart (The Bird And The Bee)
Walken (Wilco)
Heretics (Andrew Bird)
Get Innocuous! (LCD Soundsystem)
Patrick Wolf (The Magic Position)
Love Today (Mika)
It's Not Safe (Gentleman Reg)
American X (Black Rebel Motorcycle Club)
Like A Light (The Broken West)

...10 musicas que (já) estavam:

1972 - Everything I Own (Bread)
1971 - Me Faça Um Favor (Sá, Rodrix & Guarabyra)
2002 - Sleep On Needles (Sondre Lerche)
1972 - O Trem Azul (Milton Nascimento e o Clube da Esquina)
1968 - On The Way Home (Buffalo Springfield)
1966 - Amanhã, Ninguém Sabe (Chico Buarque)
1997 - Speed Racer (versão de Herbert Vianna)
1973 - Golden Lady (Stevie Wonder)
1973 - Fala (Secos & Molhados)
1970 - The Circle Game (Joni Mitchell)

É um post bem pessoal, eu diria.

Segunda-feira, 19 de Março de 2007

Dexter + O Épico de Guerra de Clint Eastwood

Michael C. Hall - Dexter


Ok. Um serial killer que "tira o lixo das ruas". É bem provável que não haja sequer um americano (ou, por que não, brasileiro) consciente e contrário à criminalidade em seu país que não tenha pensado ao menos na existência de um alguém tão "especial e disciplinado" como Dexter para efetuar tal "tarefa". Tudo, obviamente, faz parte de um pré-julgamento. Humano. Dex foi orientado por seu pai adotivo (policial) a fazê-lo, transformando sua assumida ânsia de matar numa alternativa radical de eliminar os "maus sujeitos", que fazem coisas "erradas" e "injustas". Algo tão "preto no branco" não pode sobreviver sem arranhões.

"Quantas áspas, amigo!"

Pois bem: embora o próprio Dexter se considere inumano (e, em concepção, realmente o é, como o elemento principal da caracterização de um contexto/ensaio de pensamento em estado bruto), a trama que o envolve e a outras personagens, tão contraditórias e imperfeitas quanto ele, acaba por negar sua afirmação. Na 1ª temporada, de apenas 12 episódios, da série exibida originalmente pelo canal pago americano Showtime, inspirada no livro Darkly Dreaming Dexter, de Jeff Lindsay, há uma clara desconstrução das idéias de Dex que salienta o sentimento de culpa que o envolve e, ao mesmo tempo, a pertubadora sensação de realização gerada por seus assassinatos que comprova a ligação que há entre ele e o expectador. É, de fato, um estudo pertinente sobre crime e punição pousando sobre um formato que já não é dos mais originais há muito tempo (até na TV americana, em boa fase), embora muita gente ainda acredite que seja.

Para a 2ª temporada, que está prevista para estrear no segundo semestre deste ano, o (que sobrou do) elenco se reune novamente, e agora numa trama original, não baseada em outra obra de Lindsay (que lançará seu terceiro romance sobre Dexter também este ano). Sobra desconfiança em relação ao destino que tomará esta história e esperança de que ela não perca sua essência.


A Conquista da Honra
Cartas de Iwo Jima


Justiça com as próprias mãos? Se não veio à cabeça o nome Clint Eastwood, você não está concentrado. Pois o próprio Clint nunca analisou tanto a si mesmo quanto em seus ultimos filmes. A conversa que existe entre sua faceta Dirty Harry/Westerns e sua faceta Bird/Coração de Caçador perdurou por todos os anos 90 (com uma pequena parada para uma obra-prima com vida própria, a adaptação de As Pontes de Madison) e seguiu até o início dos 2000, mas desde Sobre Meninos E Lobos, e chegando ao topo com a obra-prima Cartas De Iwo Jima, o nível de conlflito estabelecido chegou a um ponto de quase redenção.

De fato, Clint fez tal como recentemente Quentin Tarantino em seu Kill Bill, gerando um grande épico dividido intencionalmente em duas partes que quase se negam, de tanto inverter expectativas. Clint também foi crítico, e apontou vícios de alguns gêneros do cinema americano (pelos quais o próprio tem sua parcela de responsabilidade).

A Conquista da Honra é quase uma ode aos desajustados e desafortunados, grande alvo da política e milicia norte-americanas em toda sua história, aqueles que se tornaram soldados e heróis fabricados e descartáveis promovidos pela imprensa para alimentar a auto-estima e o patriotismo dos EUA. Com esta primeira parte, Clint pretendeu fazer o que provavelmente nenhum presidente conseguiu ou vai conseguir, olhar com mais carinho e cuidado para as vidas envolvidas num evento bélico do porte da Batalha de Iwo Jima (por extensão, a Segunda Guerra Mundial) e seu efeito para as gerações seguintes. Ainda que incomodem um pouco certos exageros na edição e que o roteiro pareça forçar a barra em alguns diálogos, Clint consegue reforçar com veracidade a proposta, sem grandes deslizes.

Mas a surpresa estava guardada para o segundo filme. Com uma honestidade quase pura, o ponto-de-vista japonês da batalha reflete a maior das limitações do cinema de gênero, inserida inúmeras vezes nos filmes de guerra: a caracterização de um vilão sem face, sem vida. Uma sombra em seus movimentos, uma máquina em seu raciocínio. Total frieza e estado emocional permanente, inafetável. Logo, sem misericórdia. Cartas de Iwo Jima é definitivo no modo como inverte as peças do tabuleiro, não para jogar feio com elas, mas para mostrar a quem assiste que, seja numa guerra de verdade ou cinematográfica, elas não mandam nesse jogo, ainda que sejam as maiores vitimas. Dirty Harry e o Caçador Com Coração são um mesmo homem. Ele pede perdão e mostra que, para aprender, basta estar vivo.

Sábado, 10 de Março de 2007

O que há de melhor em...

Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, 1966:


You're a flop!

O Texto: Como se não bastasse o elogiado e premiado material da peça original escrita por Edward Albee, o responsável por adaptá-lo para a tela grande, Ernest Lehman, que contribuiu com alguns dos melhores roteiros do cinema americano no século passado, praticamente assegurou que o tal drama de um casal de chegada à terceira idade, num momento crítico da grande crise de seu casamento, marcado pela presença de um casal bem mais novo e ainda mais perdido, rendesse um filme com mais de duas horas não somente inusitado, mas intenso e reflexivo, como poucos textos com o tema conseguiram, ou sequer mereciam conseguir. Simbólico, intrínseco e extremamente vasto. Tudo ao mesmo tempo.

Isso se as declarações de Edward Albee de que praticamente todo o roteiro de Lehman foi recusado durante as filmagens não forem verdadeiras. Caso sejam, todo o crédito está nas mãos do autor original mesmo, o que é bem sensato.

Em cores...

Os Casais: Elizabeth Taylor (Martha) & Richard Burton (George), Sandy Dennis ("Honey") & George Segal (Nick). O casal das discussões ácidas, desmedidas e amplas no vocabulário contrapõe-se ao casal do "não dito", do modelo ultrapassado de união e de vida de casados, do controle ao outro e do auto-controle. Mas todos estão conectados pelos interesses pessoais frustrados, ainda que o primeiro casal (Martha & George) seja o único a questioná-los, encara-los de frente, confrontá-los com a noção do verdadeiro amor e da convivência e com as inconveniências da vida, ainda que ambos, homem e mulher, acabem por alimentar a loucura para lembrarem-se (e aos outros) de que ainda estão vivos.

Mike Nichols + Elizabeth Taylor + Richard Burton

O Diretor Estreante: Já ganhador de prêmios Tony por dois anos consecutivos, Mike Nichols foi convidado a se aventurar no que seria a primeira de suas grandes adaptações cinematográficas para algumas das peças mais aclamadas das ultmas décadas (o filme que lhe rendeu um Oscar de Melhor Direção é uma versão de um romance, ok, adaptações em geral são seu forte). E alí estava, a união perfeita entre as alegorias do texto original, a influência e a relação dos ambientes para com a história e a proximidade que somente uma câmera de cinema pode prover entre os olhos do espectador e os de cada personagem, imprimindo com total assimilação o espírito desta história.

Hoje, tendo em vista que o trabalho de Nichols já foi reconhecido pelos americanos de maneira até atípica (Oscar, Tony, Emmy, Bafta, Globo de Ouro, Festival de Berlim, entre outros), fica até facil entender por que sua estréia no cinema foi tão bem sucedida em trazer o melhor de artes tão distintas em concepção e até ajudar a ampliar seus horizontes.



Who's Afraid Of Virginia Woolf?
Direção: Mike Nichols. Elenco: Elizabeth Taylor, Richard Burton, Sandy Dennis e George Segal. Principais Prêmios: 5 Oscars (Atriz, Atriz Coadjuvante, Direção de Arte - Filme em Preto-E-Branco, Fotografia - Filme em Preto-E-Branco e Figurino) e 3 Baftas (Melhor Ator Britânico, Melhor Atriz Britânica, Melhor Filme). Baseado em: Peça Original de mesmo nome, escrita por Edward Albee. Roteiro e Produção: Ernest Lehman. Musica Original: Alex North. Fotografia: Haskell Wexler. Montagem: Sam O'Steen. Direção de Arte: Richard Sylbert & George James Hopkins. Figurino: Irene Sharaff. Lançamento Original: 22 de Junho de 1966.